terça-feira, 26 de maio de 2009

Gestação e doenças maternas


Por oferecerem risco de morte à gestante, e de óbito ou de malformação congênita e repercussões psiquiátricas no embrião/feto/bebê, a propensão a doenças maternas físicas e psíquicas, ou as doenças desse tipo já manifestadas na mulher e que podem se agravar no período de gestação ou repercutir negativamente sobre o embrião, o feto e a criança, merecem ser investigadas desde o momento em que a paciente revela o desejo de ficar grávida. Nesse caso, se enquadram, em especial, as mulheres em tratamento psiquiátrico.
As portadoras de transtornos graves, por exemplo, raramente podem abrir mão da medicação, sob risco de colocar em perigo a própria vida e a do embrião/feto – o que pode ocorrer em situações de surto, por exemplo. Mesmo mulheres com transtornos leves ou com tendências à depressão, à ansiedade e a quadros de extrema angústia (que podem levar à síndrome do pânico, por exemplo) devem revelar tais condições a seus médicos, antes de engravidar.
Isso, porque, especialmente os três primeiros meses são atravessados por regressão, angústias e ansiedades características, conforme relata a autora Raquel Soifer, em "Psicologia da Gravidez, Parto e Puerpério". É neste período embrionário também que ocorre maior rejeição química do organismo da mulher ao novo ser.
Náuseas e vômitos evidenciam a gestação e ao mesmo tempo causam ansiedade devido à incerteza. "Esta ansiedade exprime o conflito de ambivalência, em decorrência da intensificação das vivências persecutórias que existem por si mesmas frente à maternidade: são o produto de sentimentos de culpa infantil, tanto pelos ataques fantasiados à própria mãe como pelo desejo de ocupar o seu lugar", explica Raquel Soifer.
A gestante teme que retirem dela seu filho, e que tudo não passe de uma fantasia. Quando essa gestante viveu uma relação seriamente conturbada com a mãe, ou a perdeu, os episódios de vômito e náuseas adquirem maior intensidade e persistência, indicando a necessidade de psicoterapia individual, diz a autora. Segundo Raquel Soifer, em todos os casos de parto prematuro observados (por ela) havia estreita relação entre a percepção da versão (interna da gestante) e a crise de ansiedade.
Também na fase perinatal, o acompanhamento médico e/ou terapêutico (psicológico) para pacientes psiquiátricas é tão importante quanto no período de gestação, pois dependendo do transtorno do qual a paciente é portadora, há risco de suicídio, para a gestante, e de homicídio para o recém-nascido.
Já várias doenças físicas da mulher, aqui relatadas sem relacionamento com as doenças psíquicas, por si só seriam suficientes para dissuadir candidatas a mamães de arriscarem uma gestação, pelo grande risco de morte (sua e do embrião/feto) implicado.
Por hipótese - porque o tema não foi desenvolvido neste trabalho -, acredito que transtornos psíquicos, como o obsessivo compulsivo, podem repercutir quimicamente sobre o hipotálamo, com efeito sobre a hipófise, que por sua vez incide sobre os sistemas hormonais.

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